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Calcular percentagens

Três cálculos, uns por baixo dos outros: a percentagem de um valor, a proporção que um número representa noutro e a variação entre dois valores.

Quanto é X % de Y?

%

15 % de 240 =

36

Como calculámos

X % de Y = X × Y ÷ 100

15 × 240 ÷ 100 = 36

X representa que percentagem de Y?

45 em 180 representa

25,00%

Como calculámos

Proporção = X ÷ Y × 100

45 ÷ 180 × 100 = 25 %

Variação de X para Y (aumento ou desconto)

Descida de

-30%

de 89,9 para 62,93

Como calculámos

Variação = (Y − X) ÷ X × 100

(62,93 − 89,9) ÷ 89,9 × 100 = -30 %

Há três perguntas que aparecem sempre com percentagens e nenhuma delas é a mesma conta. Quanto são 15 % de 240? Que percentagem representa 45 em 180? Quanto varia um preço que desce de 89,90 € para 62,93 €? Esta página põe os três cálculos lado a lado, cada um no seu cartão, com dois campos e um resultado.

Não há nada para validar. Um cartão atualiza-se assim que os dois campos contêm um número, os decimais são aceites sem constrangimento de passo, e o resultado sai com duas casas decimais e vírgula. Os três cartões são independentes: um valor pode ficar parado num deles enquanto trabalha noutro, o que permite guardar à vista um cálculo feito em três tempos em vez de o recomeçar de cada vez.

A dificuldade das percentagens nunca está na aritmética, está na base sobre a qual se aplicam. Uma subida e uma descida da mesma grandeza não se anulam, dois descontos seguidos não se somam, e uma diferença medida em pontos não é uma variação percentual. As três armadilhas estão desmontadas mais abaixo, com a conta completa em cada caso.

Como usar

  1. Encontre o cartão que faz a sua perguntaTrês blocos seguem-se pela página abaixo: quanto são X % de Y, X representa que percentagem de Y, e variação de X para Y, seja essa variação uma subida ou um desconto.
  2. Primeiro cartão, aplicar uma taxaEscreva a taxa no campo X (%) e o valor no campo Y. O resultado é um número nu, sem unidade agarrada: se representa euros, gramas ou visitantes é consigo.
  3. Segundo cartão, exprimir uma parteX é a parte, Y é o total, e o resultado vem seguido do sinal de percentagem. Um total igual a zero mostra um travessão em vez de um número, porque nenhuma proporção se mede em relação a nada.
  4. Terceiro cartão, medir uma evoluçãoX é o valor inicial e Y o valor final. Uma subida é precedida de um sinal mais; uma descida traz o seu próprio sinal menos. É a ordem dos dois campos que fixa o sentido da leitura.
  5. Corrija os valores enquanto trabalhaOs campos aceitam qualquer número decimal, sem passo fixo. Mudar um algarismo recalcula imediatamente esse cartão e deixa os outros dois exatamente como estavam.

As três fórmulas

Aplicar uma taxa: X % de Y = X × Y ÷ 100. Quinze por cento de 240 são 15 × 240 ÷ 100 = 36. Exprimir uma parte: X ÷ Y × 100. Quarenta e cinco em cento e oitenta dão 45 ÷ 180 × 100 = 25 %. Medir uma variação: (Y − X) ÷ X × 100. De um preço de 89,90 € para um preço de 62,93 €, a conta dá (62,93 − 89,90) ÷ 89,90 × 100 = −30 %.

O denominador é a única coisa que muda de uma fórmula para a outra, e é exatamente aí que moram os enganos. Uma variação mede-se sempre contra o valor de partida, nunca contra o de chegada nem contra a média dos dois. Trocar os dois campos do terceiro cartão não devolve, por isso, o simétrico do resultado: de 100 para 120 lê-se +20 %, de 120 para 100 lê-se −16,67 %.

Uma subida de 20 % seguida de uma descida de 20 %

O resultado não é o ponto de partida. Comece em 100: a subida de 20 % acrescenta 20 e dá 120. A descida de 20 % passa a incidir sobre 120, retira portanto 24 e não 20, e deixa 96. No conjunto do percurso, o terceiro cartão anuncia (96 − 100) ÷ 100 × 100 = −4 %.

A causa é a mudança de base: a primeira percentagem aplica-se a 100, a segunda a 120. Para voltar exatamente a 100 a partir de 120 é preciso retirar 20 ÷ 120, ou seja 16,67 %, coisa que o terceiro cartão confirma escrevendo 120 e depois 100. Uma ida e volta de 50 % é ainda mais espetacular: um valor reduzido a metade tem de duplicar, isto é, de subir 100 %, só para regressar ao que era.

O mesmo mecanismo governa os descontos encadeados, que é como quem diz a época de saldos. Menos 30 % seguidos de menos 20 % não fazem 50 %: o preço é multiplicado por 0,70 e depois por 0,80, o que dá 0,56 e corresponde a um desconto real de 44 %.

Pontos percentuais, percentagens e unidades

Uma taxa que passa de 4 % para 6 % ganha dois pontos percentuais, ao passo que o terceiro cartão anuncia +50 %. As duas afirmações estão certas. Os pontos medem a distância absoluta entre duas taxas; a percentagem mede a evolução relativa de uma para a outra. A confusão é rotineira nos comentários a sondagens, a quotas de mercado e a taxas de juro, e desaparece assim que a frase diz qual das duas leituras está em causa.

Os cartões não transportam unidades nenhumas. O primeiro devolve um número bruto, os outros dois uma percentagem. Escreva euros e lê euros; misture gramas com litros e a página produz, sem se queixar, um resultado impecavelmente formatado e sem sentido nenhum. Nada o avisa, porque nada aqui sabe o que os números representam.

O que estes três cartões não fazem

Nenhum deles inverte uma variação. Recuperar o preço anterior ao desconto é uma divisão: um artigo exposto a 62,93 € depois de 30 % de desconto custava 62,93 ÷ 0,70 = 89,90 €. A mesma mecânica governa a passagem de um preço com IVA para um preço sem IVA, que a calculadora de IVA deste site trata diretamente, nos dois sentidos.

  • Encadear duas operações: o resultado de um cartão tem de ser copiado à mão para o cartão seguinte.
  • Calcular uma taxa média ao longo de vários períodos, o que exige uma média geométrica e não a média aritmética das variações.
  • Trabalhar a partir de um valor inicial nulo: o terceiro cartão mostra um travessão, porque não existe variação relativa a partir de nada.
  • Lidar bem com grandezas que mudam de sinal, como um saldo bancário ou um resultado contabilístico.

Este último ponto merece um aviso. Com um valor de partida negativo o quociente continua a ser calculado, mas o sinal acrescentado à frente segue a ordem dos dois números e não o sentido real da evolução, pelo que o ecrã pode acabar a justapor um mais e um menos. Nessas situações, raciocine sobre a diferença absoluta em vez da percentagem.

Perguntas frequentes

Como descubro o preço antes do desconto?
Divida o preço de saldo por 1 menos a taxa: 62,93 ÷ 0,70 = 89,90 € para um desconto de 30 %. Nenhum dos três cartões faz esta inversão, mas a divisão arma-se facilmente à parte.
Dois descontos seguidos somam-se?
Não. Menos 30 % e depois menos 20 % equivalem a multiplicar por 0,70 e por 0,80, ou seja por 0,56: o desconto acumulado é de 44 % e não de 50 %. Encadeie os dois cálculos em vez de somar as taxas.
Porque é que o resultado mostra um travessão?
Há três causas possíveis: um dos dois campos está vazio ou não contém um número, o total do segundo cartão é zero, ou o valor de partida do terceiro é zero. Nos dois últimos casos a divisão é simplesmente impossível.
O primeiro cartão serve para acrescentar IVA?
Dá o montante do imposto, já que 23 % de 1 000 são 230, valor que ainda é preciso somar ao preço sem IVA. No sentido inverso, tirar 23 % a um preço que já inclui imposto devolve um resultado errado; a calculadora de IVA trata os dois sentidos corretamente.
Uma diferença de dois pontos são 2 %?
Não. Uma taxa que passa de 4 % para 6 % sobe dois pontos percentuais, o que corresponde a um aumento relativo de 50 %. O terceiro cartão mede a segunda leitura e não a primeira: são respostas a perguntas diferentes.
O resultado é arredondado?
O ecrã guarda duas casas decimais e usa a vírgula como separador. Um cálculo que caia numa dízima infinita, como 100 ÷ 3, aparece portanto arredondado na leitura, enquanto o valor interno conserva toda a sua precisão.

E a seguir?